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Alongamento, exercícios resistidos e a ótica da prevenção de lesões.

Por anos e anos, havia a crença no mundo desportivo que realizar exercícios de alongamento antes das atividades físicas, especialmente a musculação, era essencial para prevenção de lesões e melhora da performance na atividade. Fato este que corroborou para que nas academias de todo país, ser comum encontrar aquele quadro de alongamentos instruindo aos alunos como executar cada movimento.

Atualmente, tal assunto vem sendo debatido fortemente e estudado das mais variadas formas, afim de alcançar um denominador comum na importância ou não dos exercícios de alongamento na prevenção de lesões pré exercícios resistidos.

Vários estudos, apontam para o fato dos exercícios de alongamento ser prejudiciais quando realizados antes do treinamento de força, sob a ótica da prevenção de lesões.

Resumidamente, faremos uma abordagem nas variáveis fisiológicas que sustentam as evidências científicas atuais.

Alongamento e o fuso Muscular

Alongamento se define como um conjunto de técnicas como o objetivo de aumento da flexibilidade, ou segundo Prentice (2003): “É a amplitude máxima fisiológica passiva de um dado movimento articular”. Com o alongamento, estiramos as fibras musculares e por consequência, exigimos maior controle do fuso muscular.

O fuso muscular é um receptor sensorial proprioceptivo em forma de fuso composta por feixes de fibras musculares modificadas contidas dentro de uma cápsula fibrosa.

Sua função durante o alongamento é controlar o ponto máximo de tensão. Porém, ele não exerce tal função apenas no alongamento. A referida estrutura, controla a tensão máxima e a amplitude de movimento, durante todo o tempo.

Quando executamos exercícios resistidos, o fuso muscular também é exigido para controle da tensão máxima e amplitude de movimento. Portanto os exercícios resistidos causam um stress elevado ao fuso muscular.

Portanto, alongar alguns minutos antes do treinamento de força não é aconselhável sob a ótica de prevenção de lesões, uma vez que tanto os exercícios de alongamento e resistidos provocam sobrecarga elevada no fuso muscular, que quando somados pode ajudar no processo lesivo.

Outro fator a ser levado em consideração é que Segundo CRAMER (2005) “ Vários estudos demonstram que carga aguda de alongamento muscular passivo pode diminuir o desempenho em certos movimentos para os quais o sucesso depende da máxima força e/ou potência produzida”. Isto é, o trabalho de alongamento estático antes da musculação além de aumentar o risco de lesão, compromete o desempenho de força máxima e potência.

Vale ressaltar que de maneira alguma temos a pretensão de diminuir a importância do trabalho de flexibilidade na rotina de treinamento de nosso aluno. Apenas colocamos em evidência, um resumo do que os trabalhos científicos atuais trazem quando se compara o alongamento estático sendo realizado antes do treinamento de força.

Assim devemos usar tais evidências para refletir sobre como montamos a rotina de aquecimento de nossos alunos e em qual momento correto (sob a ótica da periodização) devemos trabalhar a flexibilidade.

Referências bibliográficas

CRAMER, J. T. et al. The acute effects of static stretching on peak torque, mean power output, electromyography, and mechanomyography. Eur J Appl Physiol, Berlim, v. 93, n. 5-6, p. 530-539, Mar. 2005.

BRADLEY, P. S. et al. The effect of static, ballistic, and proprioceptive neuromuscular facilitation stretching on vertical jump performance. J Strength Cond Res, Connecticut, v. 21, n. 1, p. 223-226, Feb. 2007

Prentice WE. & Voight ML. Técnicas em Reabilitação Musculoesquelética. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Cattelan AV. Estudo das técnicas de alongamento estático e por Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva no desenvolvimento da flexibilidade em jogadores de futsal. [Monografia de especialização do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Movimento Humano – Área de Concentração em Biomecânica]. Santa Maria (RS): Universidade Federal de Santa Maria; 2002

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